Minoxidil é um tratamento capilar de sucesso utilizado há muitos anos, na forma de um tônico ou espuma.

É considerado a primeira escolha de tratamento para alopecia androgenética ( a calvície) e um aliado ao tratamento de outros tipos de alopecia. Já existem inúmeros trabalhos publicados no que diz respeito a sua segurança e eficácia.

Há poucos anos, começou-se a se falar da possibilidade de em vez de usar o minoxidil como um produto líquido de colocar direto no couro cabeludo, tomá-lo em forma de comprimido, numa dosagem que chamamos de minoxidil oral em baixa dose.

Como o minoxidil melhora a calvície?

Apesar de anos de uso do minoxidil, ainda não entendemos completamente como é seu mecanismo de ação nas alopecias.

Provavelmente é devido ao aumento do fluxo de sangue na raiz do cabelo. Com mais sangue no local, aumenta a quantidade de oxigênio e de fatores de crescimento, estimulando o crescimento do cabelo e reduzindo sua queda.

O minoxidil também parece prolongar a fase anágena e encurtar a fase telógena.

A fase anágena é a fase de crescimento do cabelo, dura meses. É aquele período que o cabelo vai ficando mais comprido.

Na fase telógena os cabelos “morrem” e são eliminados, caem. Se uma medicação pode prolongar a fase de crescimento e encurtar a fase de queda, ela é ótima para vários tipos de alopecias

Estou falando aqui do efeito tanto do minoxidil tópico, quanto oral.

Mas será que o o minoxidil oral é mais eficaz?

Fique comigo que irei explicar ao longo desse texto

O que significa Minoxidil oral em baixa dose?

O minoxidil em forma de comprimidos era utilizado como medicação pra pressão alta, na dosagem de 20 mg.

Curiosamente, começou-se a notar que um dos efeitos colaterais da medicação era o aumento do crescimento dos pelos e cabelos. Foi a partir dessa observação que começamos a usar o minoxidil como tratamento tópico.

O uso dele como uma opção para tratar pressão alta foi descontinuado no Brasil, devido ao número de efeitos colaterais que costumavam surgir naquela dosagem.

O que hoje temos utilizado é uma dosagem que varia entre 0,5 mg e 5 mg, sendo a variação mais comum entre 1 mg e 2,5 mg. Nessa dose, considerada baixa dose, os efeitos colaterais são mínimos.

Quando usar o Minoxidil oral é para queda de cabelo?

calvice

O Minoxidil oral pode ser considerado para queda de cabelo se:

  • o paciente tiver erupção cutânea, irritação ou alergia ao produto tópico
  • a resposta ao minoxidil tópico não estiver satisfatória
  • o paciente não estiver conseguindo colocar o produto no couro cabeludo por se queixar de ressecamento, quebra dos fios e aparência mais grudenta

Que tipos de perda de cabelo podem melhorar com Minoxidil oral?

O minoxidil oral é usado principalmente para ALOPECIA ANDROGENÉTICA, em homens ou mulheres, mas também pode haver benefícios em outros tipos de perda de cabelo, como:

  • Eflúvio telógeno, que é quando o paciente chega dizendo que seu cabelo está caindo muito. Os fios estão soltando
  • Alopecia por tração. Ocorre em quem tem o hábito de fazer muito rabo de cabelo ou tranças puxando o cabelo para trás
  • Alopecia areata
  • Síndrome dos cabelos anágenos frouxos.

Por que o Minoxidil oral funcionaria quando o Minoxidil tópico não funcionou?

O minoxidil quando é colocado no cabelo, ainda não está na forma dele ativa. O corpo precisará ainda convertê-lo a uma forma que fará ação, chamada de Minoxidil sulfato.

Algumas pessoas podem não responder ao Minoxidil tópico, pois não possuem a enzima correta, chamada sulfotransferase, em seus folículos capilares para ativar a medicação de Minoxidil Base para Minoxidil Sulfato.

Mas, esta enzima está presente no fígado e ativará a medicação oral.

Trabalhos mostraram que a deficiência dessa enzima é algo bastante comum, principalmente entre as mulheres.

Com isso, conseguimos já entender porque pessoas que nunca responderam bem ao minoxidil tópico podem responder bem ao oral

Minoxidil oral é eficaz?

Cerca de um terço dos pacientes notará uma redução na queda e um terço notará um crescimento melhorado em 6 meses ou mais.

Isso significa que até 2 em cada 3 pessoas podem notar benefícios do Minoxidil oral num intervalo de tempo relativamente curto.

O início do efeito é mais rápido do que com o minoxidil tópico.

Em geral no segundo mês já é possível notar algum benefício. Porém, só após 6 a 12 meses podemos avaliar melhor o resultado.

O único estudo comparativo entre minoxidil oral e minoxidil tópico em mulheres com queda de cabelo de padrão feminino mostrou que o uso de 1mg de minoxidil deu efeitos comparáveis a solução a 5% (1ml) uma vez ao dia.

Neste estudo, 26 mulheres receberam minoxidil oral e 26 mulheres receberam minoxidil tópico.

Após 24 semanas de tratamento, houve um aumento de 12% na densidade capilar para as mulheres que receberam minoxidil oral e um aumento de 7,2% para as mulheres que aplicaram minoxidil tópico.

A diferença não foi estatisticamente significativa, mas o grupo de minoxidil oral também teve menos queda de cabelo.

E claro, sempre temos que considerar que na vida real a adesão principalmente das mulheres a algo que vai deixar o cabelo mais melado para uso diário, não será como num estudo.

Quais são os efeitos colaterais?

Não costumamos ver com frequência efeitos colaterais, quando utilizamos o minoxidil com as doses baixas que temos preconizado para tratar as perdas de cabelo.

O maior estudo sobre efeitos colaterais mostrou que em 943 mulheres e 461 homens, apenas 2,5% das mulheres e 0,5% dos homens tiveram que interromper o tratamento por causa de um efeito colateral.

Entre os possíveis efeitos colaterais, temos:

  • Aumento de pelos (Hipertricose).
    • O efeito colateral mais comum é a hipertricose para homens e mulheres, que significa crescimento excessivo de pelos em outras partes do rosto e do corpo.
    • O crescimento de pelos em locais não desejados é mais provável de ocorrer em doses mais altas. Embora esse efeito colateral seja incômodo, geralmente pode ser controlado com ajuste da dose ou métodos de depilação e não costuma ser um motivo que faça o paciente desejar parar.
    • A hipertricose pode afetar 10-25% daqueles em doses baixas (<4mg) e até 50% daqueles em doses mais altas (>5mg).
    • Praticamente todos os homens convivem bem com esse efeito adverso quando estão satisfeitos com o resultado positivo da medicação.
    • Em torno de 5% das mulheres, o que também é um número bem baixo, decidem interromper o tratamento
  • Efeito sheeding
    • significa uma piora na queda do cabelo no início do uso da mediação.
    • É um efeito relativamente comum e pode ocorrer com o minoxidil em solução também.
    • É importante avisar o paciente que isso pode ocorrer e é temporário.
    • Em geral se resolve no segundo ou terceiro mês.
    • Esses cabelos que estão caindo já iriam cair, mas não todos ao mesmo tempo. É como se a medicação antecipasse a queda para eliminar tudo o que não está mais legal, ou um cabelo que já estava “morto”. Se não for explicado, o paciente irá suspender a medicação, achando que ela está piorando a queda
  • Inchaço do tornozelo e retenção de líquidos.
    • Inchaço da parte inferior das pernas pode ocorrer em até 3% das pessoas, mas, mesmo assim, costuma ser com doses mais altas.
    • Utilizando doses entre 1 e 2,5mg esse problema dificilmente ocorrerá.
  •  Pressão arterial baixa e sensação de tontura.
    • O minoxidil também é usado para controlar a pressão alta, geralmente em doses de 10-40mg por dia – muito mais altas do que as doses usadas para queda de cabelo.
    • No entanto, mesmo doses mais baixas às vezes podem causar uma redução na pressão arterial.
    • 2% das pessoas podem ter hipotensão postural com baixas doses de Minoxidil e algumas podem ter sintomas gerais de tontura. Não é algo que vemos com frequência na prática
  • Frequência cardíaca rápida.
    • O minoxidil também pode causar um ritmo cardíaco acelerado, mas isso geralmente ocorre em doses mais altas.
    • Você deve alertar seu médico se estiver tomando outros medicamentos, como inaladores para asma, que também podem aumentar a frequência cardíaca.
  • Dores de cabeça.
    • Dores de cabeça podem ocorrer, mas novamente isso parece melhorar com o tempo.
  • Outros efeitos colaterais ainda menos comuns: pesadelos, insônia, alterações na pele, enjoo, palpitações

Afinal, é seguro?

Diversos estudos brasileiros e internacionais já demonstram que sim, é uma medicação segura na dose que tem sido usada para queda de cabelo.

É um tratamento seguro e eficiente e já começou a entrar como primeira opção na prescrição de vários dermatologistas.

De qualquer forma, para pacientes hipertensos, idosos ou que apresentem alterações cardiológicas, é prudente uma avali8ação prévia do cardiologista.

Qual dose usar de Minoxidil oral?

No Brasil, não existe a medicação pronta e só algumas farmácias de manipulação estão autorizadas e manipulá-lo.

A dose ideal varia de acordo com paciente e por isso o ideal é aumentar gradativamente. Assim, conseguimos detector a dose que não desencadeia nenhum efeito colateral.

Por exemplo, se eu inicio o tratamento de uma mulher com 2mg e ela apresenta um aumento importante dos pelos, pode ser que com 1mg esse efeito não ocorresse e ainda assim respondesse bem em relação a queda do cabelo.

Por isso, nos primeiros meses do tratamento, vou aumentando a dose mês a mês de acordo com o que o paciente me relata.

Quando atingimos a dose ideal, o tratamento deve ser mantido, sem interrupção, a não ser que algum efeito seja relatado.

É muito importante seguir um acompanhamento com dermatologista cuidadosamente. Os benefícios podem demorar meses a aparecer e por isso o monitoramento é tão importante.

Relate qualquer sintoma diferente que note após a introdução do remédio, para que o dermatologista avalie se precisa suspender ou reduzir a dose

Quais as contraindicações do minoxidil oral?

  • Gestantes
  • Doenças cardiovasculares
  • Problemas renais importantes

Como eu faço na minha prática clínica?

Há alguns anos eu jamais iniciava um tratamento já com minoxidil oral. Hoje, com a segurança que os estudos vêm mostrando, converso com o paciente.

Um paciente mais idoso ou com doença cardiológica que precisaria da liberação do cardiologista, ainda prefiro iniciar com o minoxidil tópico.

Ele ainda apresenta resultado excelente desde que usado da forma correta. Para homens, isso significa aplicar 2x ao dia, continuamente. Em mulheres, dependendo da severidade, opto por 1x ao dia ou dias alternados.

Já em pacientes jovens, avalio e converso com o paciente sobre estilo de vida.

Se o paciente mesmo diz que não será possível passar o produto no couro cabeludo e não tem nenhuma doença importante, inicio com doses baixas do minoxidil oral. Mas nunca isoladamente. Pelo menos no início do tratamento, a associação oral e tópico vai ocorrer.

Quando atingimos a dose ideal do oral, ainda peço pra manter o tópico por mais 6 meses. Ou seja, por quase 1 ano, precisará haver uma colaboração no uso da solução.

Se o paciente se propõe a usar o tópico corretamente, o ideal é antes fazer uma tentativa apenas com ele. Pode ser que a resposta seja muito boa e assim não será necessário fazer o oral.

Existem outros tratamentos para associar ao minoxidil oral?

Além do minoxidil, outras substâncias podem ser prescritas para casa.

Finasterida é bastante utilizada, tem trabalhos que comprovam sua eficácia, mas precisa ter cautela principalmente em mulheres.

Em bula, não é liberada para uso em mulheres, mas é algo que já se usa na dermatologia há muitos anos.

Se existe algum tipo de queda mais pronunciada, pedimos um exame de sangue para afastar anemias, deficiência de ferro, vitamina D, problemas na tireoide ou alterações hormonais. Detectando algum desses problemas, o tratamento direcionado é associado.

No consultório é possível acrescentar MMP, que significa microinfusão de medicamentos na pele. É um aparelho que injeta substâncias no couro cabeludo através de várias microagulhas e tenho visto resultados bastante animadores.

Quando a perda de cabelo já está muito grande, pode ser indicado um implante capilar e existem hoje técnicas que deixam o resultado muito natural.

Vimos então que existem diversas opções de tratamentos para as alopecias e um medicamento bastante promissor que vem ganhando cada vez mais destaque. O importante é começar a tratar já nos primeiros sinais. Ainda não temos a cura da calvície, mas podemos desacelerar sua evolução.

Deixe um comentário