Melasma é uma das principais queixas nos consultórios de dermatologia. Ocorrem manchas escuras na pele, principalmente no rosto, afetando áreas como bochechas, buço e região da testa. 

Seu tratamento ainda é um grande desafio e diversos estudos são voltados para tentar encontrar algo com uma resposta realmente efetiva. Por enquanto, ainda não existe cura e um bom resultado de tratamento não quer dizer que as manchas sumiram, mas sim, que houve uma boa redução.

Nos últimos anos, uma medicação em especial vem ganhando nossa atenção: o ácido tranexâmico. Diversos estudos vêm demonstrando bons resultados com seu uso. Ele pode ser feito oralmente (na forma de comprimidos), em creme ou injetável, nas manchas.

A indicação principal do ácido tranexâmico não é tratar manchas. Ele é usado para prevenir e controlar sangramentos. 

Entre as principais indicações de ácido tranexâmico temos:

  • Prevenir hemorragias durante cirurgias;
  • Controle de fluxos menstruais muito intensos;
  • Sangramentos nasais de repetição.

A primeira vez que se falou sobre o uso de ácido tranexâmico para melasma foi em 1979, de forma acidental. A medicação que estava sendo usada para outro objetivo resultou no clareamento da pele da paciente.

Como atua o ácido tranexâmico?

O ácido tranexâmico além de inibir a síntese de melanina, atua também reduzindo o componente vascular do melasma. Hoje já sabemos que o melasma é muito mais complexo do que imaginávamos. Não podemos falar só que é um problema de pigmentação. Fatores como aumento dos vasos, redução de colágeno também estão envolvidos. 

O ácido tranexâmico então, age reduzindo a melanina, mas também reduzindo o número de vasos na pele com melasma e reduzindo o número de mastócitos.

Ácido tranexâmico oral

O que parece resultar em maiores taxas de clareamento é o ácido tranexâmico em comprimidos.

Quando comparamos pessoas que estão utilizando apenas filtro solar, com um grupo que além do filtro solar está tomando ácido tranexâmico, a redução na intensidade das manchas é mais que o dobro nos que estão fazendo uso do ácido tranexâmico. Porém, após a interrupção do tratamento pode haver um retorno das manchas. A dificuldade ainda é decidir o que fazer para manter o resultado alcançado.

Além de sua eficácia de forma isolada, ele potencializa o resultado dos tratamentos. Se associamos ele ao filtro solar e a um creme de tratamento de melasma, a resposta será muito superior.

Quando fazer ácido tranexâmico oral?

Para pacientes com melasma severo que respondem pouco aos outros tratamentos propostos. Ele não é uma solução para o melasma, apenas uma nova opção. Como ainda faltam estudos para comprovar sua real eficácia e segurança, ainda não deve ser indicado de rotina para qualquer pessoa com melasma

Qual a dose utilizada para tratar melasma?

Em geral, a dose é de 250 mg, 2x ao dia. Alguns estudos testaram doses mais altas e concluíram que o efeito final é o mesmo. Mas com doses mais baixas, que seria essa de 250 mg 2x ao dia, os efeitos colaterais são mais raros.

Por quanto tempo tomar o ácido tranexâmico?

O tempo de tratamento varia de 2 a 4 meses. 

Quais os efeitos colaterais do ácido tranexâmico oral?

  1. Vermelhidão na pele
  2. Enjoo e vômitos
  3. Diarreia
  4. Alteração na menstruação
  5. Dor de cabeça
  6. Dores musculares
  7. Trombose

Os efeitos colaterais são comuns?

A dose usual do ácido tranexâmico quando o objetivo é controle de hemorragia é de 1000 mg, 3x ao dia. Para melasma a dose proposta é de 250 mg, 2x ao dia. Com essa dose bem mais baixa, os efeitos colaterais são muito raros.

Com a dose que utilizamos para melasma, os efeitos adversos são muito raros e quando ocorrem são leves e passageiros. Mas existem relatos de trombose, que pode ocorrer em pessoas com história familiar ou alguma síndrome ou alteração genética que predisponha a trombose.

Quem não deve tomar o ácido tranexâmico?

  1. Quem tenha algum problema renal 
  2. doença cardiovascular ou respiratória
  3. uso de anticoagulante 
  4. história (pessoal ou familiar) de doença tromboembólica (incluindo trombose venosa profunda, embolia pulmonar, trombose arterial, AVC e hemorragia subaracnóidea) 
  5. gestante
  6. considerar outros fatores como critérios de exclusão: uso de pílula anticoncepcional ou terapia de reposição hormonal e fumantes 

O resultado do tratamento é duradouro?

Infelizmente, o que os trabalhos mostram é que após parar de tomar o ácido tranexâmico, grande parte dos pacientes nota um retorno das manchas após 2 a 3 meses. Isso nos faz pensar se o tempo de tratamento deveria ser maior ou de que forma conseguiríamos prevenir essa recidiva.

Ácido tranexâmico em creme ou injetável: 

Uma alternativa para pacientes que apresentam algum risco ao uso da medicação oral ou ainda que não se enquadrem para uso do oral, podemos usar cremes em casa ou tratamentos que injetam ácido tranexâmico no consultório. Pode-se combinar creme com injetáveis e pode-se também associar com outros cremes em casa e com outros procedimentos no consultório.

Como é feita a aplicação injetável do ácido tranexâmico?

Para injetar o ácido tranexâmico podemos usar seringas comuns e fazer aplicações espaçadas ou, o que utilizo mais hoje, com menos dor, e melhor distribuição do produto é uma técnica chamada MMP, ou microinfusão de medicamentos na pele. O MMP é utilizado para vários objetivos. É um aparelho com microagulhas que infiltram de forma automática e muito rápida a medicação de escolha na pele. 

É uma via minimamente invasiva e indolor de administração de medicamentos. Essa tecnologia envolve a criação de furinhos na pele com dimensões muito pequenas, permitindo assim a entrada de substâncias, que de outra forma, não atravessariam a pele intacta. 

Atualmente  o MMP é utilizado para tratar diversas condições da pele, como problemas de pigmentação, rugas, acne e cicatrizes pós-queimaduras, e também no rejuvenescimento facial como parte da terapia de indução de colágeno. O que muda é o produto que será utilizado para injetar. 

No caso do melasma, o ácido tranexâmico é sempre um boa opção

Os resultados são relativamente rápidos, sem efeitos colaterais significativos e quase sem tempo de inatividade.

Usamos o MMP no rosto então, para rugas, rejuvenescimento e também para melasma. O que muda é a substância que escolhemos para ele injetar. No caso do melasma a substância é o ácido tranexâmico. A aplicação pode ser quinzenal ou mensal e a indicação é realizar entre 3 e 6 sessões. 

O ácido tranexâmico injetável traz resultados surpreendentes?

Adoraria falar que sim, mas os resultados são apenas interessantes. Posso dizer que está entre os melhores resultados de tratamento para melasma, também em relação a segurança. Mas, apesar de considerarmos os resultados muito bons, uma melhora acima de 75% ocorre numa pequena parte dos pacientes. Em torno de 70% dos pacientes apresentaram uma melhora entre 25 e 75%.

Vemos então que não estamos diante de nenhum tratamento milagroso para melasma, como alguns lugares começaram a dizer por aí. É apenas mais uma opção, que funcionará bem para alguns e para outros, infelizmente, não. 

Quem pode fazer o MMP para melasma, com ácido tranexâmico injetável?

Qualquer paciente pode realizar o procedimento, porque apresenta baixo risco. Porém, trabalhos que compararam resultados das fórmulas que associam hidroquinona com ácido retinoico mostraram que a associação ainda é superior que o tratamento injetável.

Apesar da fórmula que engloba hidroquinona com ácido retinoico ter se mostrado mais eficiente, ela não é segura para ser feita por longo período, trazendo diversos efeitos adversos na pele que podem ser permanentes, como manchas mais claras, chamadas de hipocromia em confete.

Proponho usar então o ácido tranexâmico injetável nos seguintes pacientes:

  • Casos que não responderam bem a outros tratamentos
  • Efeitos colaterais com hidroquinona ou que simplesmente não desejem seu uso
  • Tempo prolongado de uso de hidroquinona. Para fazer um tratamento de rodízio de produtos
  • Para quem deseja acrescentar algo no tratamento, mas entenda que não é a solução do melasma
  • Associado a qualquer outro tratamento que o paciente já esteja fazendo
  • Quais são os efeitos adversos do ácido tranexâmico injetável?

São leves e bem tolerados:

  • Desconforto e vermelhidão leves no rosto
  • Sensação de queimação

Costumam desaparecer em 24 a 48 horas

Que procedimentos podem ser associados ao tratamento oral ou tópico com ácido tranexâmico?

O melasma sempre deve ser abordado com cautela. Em alguns casos, a associação de laser Q-switched, específico para melasma, ou luz intensa pulsada pode potencializar os resultados do tratamento.

Afinal, vale a pena indicar o uso do ácido tranexâmico, seja oral, em creme ou injetável?

Na minha opinião, sim, mas nunca de forma isolada. Ele se mostrou muito seguro nas doses recomendadas, então a grande maioria dos pacientes poderá fazer uso do comprimido com risco muito baixo de efeito colateral.

Ele pode ser tomado em comprimido e associado a agentes clareadores e cremes de antienvelhecimento em casa ou ainda, pode ser usado na forma de cremes em conjunto com outros ativos. Ainda é possível utilizá-lo apenas de forma injetável e apostar na associação com outros ativos em casa.

Enfim, tratar o melasma não é fácil. É preciso um equilíbrio entre produtos clareadores, que podem irritar demais a pele, com hidratação, com antioxidantes, com protetores solares e com uma infinidade de outras substâncias que vêm sendo propostas dia após dia. É um tratamento que deve ser sempre revisto, ajustado e equilibrado. 

Na minha prática clínica com ácido tranexâmico, costumo começar utilizando os injetáveis ou os cremes. Quando nada responde, aí sim, sugiro para casos selecionados, o tratamento oral. Mas isso também é avaliado caso a caso. 

Espero ter esclarecido um pouco sobre mais essa possibilidade de tratamento para melasma. Qualquer dúvida, estou à disposição

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